por
Jos� Arthur Giannotti
N�o
creio que exista algum motivo para se viver, pois � no percurso da vida
que se selecionam motivos. A pergunta � improcedente.
Por
que ent�o n�o me mato? Querer matar-se � um motivo t�o radical que aboliria
a escolha de um motivo. Ora, mesmo quando a vida parece n�o valer a pena,
isto � apenas uma apar�ncia, e n�o � o que �. Quem me assegura que amanh�
n�o quererei viver? O suic�dio � um erro de c�lculo.
E
assim continuamos a viver, a atravessar o presente para se ter um passado
e um futuro. Esse viver no tempo � ainda compromisso com esse percurso,
por conseguinte viver vivendo, vale dizer, comprometendo-se com a vida e
com a compreens�o dela.
A
compreens�o da vida � manter sua identidade na diferen�a, em particular,
na diferen�a maior que se infiltra entre o eu e o outro. Existe, pois, entre
o eu e o outro um espelhamento, uma solidariedade. Dif�cil � encontr�-la
e mant�-la.
N�o
h� motivo para se fazer pataf�sica, a n�o ser a solidariedade com um amigo
que lhe formula um contra-senso.
Posted at 07:44 am by marcoola